Vida

Criei esse espaço para meus filhos, minha família e meus amigos. É o meu diário virtual onde quero deixar registrado histórias do meu dia-a-dia, com momentos de alegrias, de tristezas, de dúvidas, de medos. É apenas para vocês!

27

de
junho

O Banquete dos Feromônios

 

 

Meu amigo de tantos anos, professor Cao Nobre, papai muito, muito corujo, nos conta sobre o aniversário de 12 anos de sua Yaya.

É Cao, filha na pré-adolescência é assim. Cada dia que passa uma novidade. Nos envaidece de vê-los já crescidos, mas assusta um pouco, não é verdade?

Meu abraço para ti, e que tua menina (quase, quase mocinha) continue só te dando  alegrias.

Meu abraço para ti Yaya.

E a todos os amigos que por aqui passam, um ótimo final de semana.

 

 


O Banquete dos Feromônios ( para Yaya, 2008-06-24 )

Devo dizer que minhas expectativas naquele instante, eram mais para o nascimento e a primeira forma visível de minha multiplicação genética. Depois de passados 12 anos, posso completar que ao vigésimo terceiro dia do mês de junho com lua cheia, dois dias depois do solstício de verão no hemisfério norte, realizei em minha residência um encontro de adolescentes que muitos chamariam de festa de aniversário para minha filha.

A separação conjugal me fez amadurecer e enxergar questões da consciência que o véu do poder material, me abstraia, me fez perceber, que nossos filhos pertencem ao planeta assim como a construção de nossas vidas e a total responsabilidade de nossas ações.

Com um toque de festa surpresa apadrinhada por uma amiga de minha filha, me vi diante de onze adolescentes em minha sala, todos com corpos de adulto e com mentes confusas entre o eu posso ou eu obedeço. Minha filha estava casa de sua amiga promoter, pois a mesma de forma arquitetônica planejou com outra aliada, um albergue em outra casa com esse grupo antes de chegar a minha, dando toque de sofisticação ao evento. Uma coisa eu sei, uma idéia na cabeça, um celular na mão e um computador, esses adolescentes dominam o mundo.

Percebi que dos onze adolescentes e completando doze com minha filha, eram casais. Comecei a entender que meio século de peregrinação terrestre ainda não me é satisfatório para compreensão da mente humana, principalmente aquela em que a festa dos hormônios, é a cada segundo.

Com a chegada de minha filha, a festa começou e como posso dizer festa de olhares, não dos olhares carnais como dos adultos, mas olhares de paqueras e de liberdade longe dos olhares repreensivos dos responsáveis.

Com duração de três horas e meia, percebi que entre o parabéns, a musica, os balões, risadas e computador, os novos adolescentes gostam de estar juntos. Quando um observa um novo desejo, todos o seguem para compartilhar desse momento.

Percebi paixão coletiva, vontade de se exprimir mesmo que a represaria venha do grupo. Autenticidade, verbalizando o não gostar e após alguns instantes, abraçando aquele que seria seu oponente.

Entendi que como pai ou responsável, sou levado agora a me sentar na cadeira de trás do automóvel, dando lugar aos novos amigos, aos eventos e principalmente as paqueras. Entendi que consegui aproveitar os choros noturnos, as ofertas de fraldas descartáveis e as leves dores nos braços, quando a chuva ou o sono chegavam bem antes do tempo.

Mas, a imagem que ficou colada em minha retina, foi à saída dos meninos logo após o termino da festa, não que isso seja estranho ou indelicado, mas a reunião das meninas comemorando as glórias de suas presas, sentadas a mesa em torno de um delicioso bolo de chocolate.

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