
Há 2 anos atrás, nesta mesma época do ano, final de março, me preparava para passar três meses nos Estados Unidos, junto ao meu filho Renato, que lá trabalhava como engenheiro para uma empresa alemã.
Feliz, mas numa ansiedade incontrolada, contava os dias para a chegada da data em que iria embarcar ao encontro dele e para mais um passeio tão sonhado. Estar uns dias com meu filho, era a única coisa que eu queria. Mil e um planos traçados para passeios, para noites de papos, para dar e receber carinho deste filho que desde aos 17 anos, já partia de casa em busca de mais conhecimentos, e por ainda não termos na época aqui em nossa cidade, o curso universtário que ele havia escolhido para sua vida profissional, foi cursar Engenharia de Automação ou Mecatrônica, em Porto Alegre (RS).
Após 4 anos e meio se formou para minha alegria, já estando com viagem marcada para Alemanha onde iria fazer mestrado.
E depois de encerrar sua especialização, ficou trabalhando para essa empresa alemã, morando assim, por 4 anos em Harburg (Hamburg), depois a empresa o mandou para um projeto no México onde ficou por mais dois anos e por fim, foi para os Estados Unidos onde ficou numa cidade próxima a Chicago.
Apesar de sempre vir nas férias e eu também ter ido visitá-lo em cada país por onde esteve, faltava ir a Chicago. Como mãe queria sondar o terreno… (rs). Quera ter certeza que estava em terra firme. Coisas de mãe…. Mas isso me deixava mais tranquila e quando perdia horas pensando nele, o imaginava sempre em cada cantinho que havia conhecido e assim a dor da saudade era um pouco menor.
Bem… ele me liga um certo dia de março de 2006, e disse: Mãe, já comprei tua passagem para final de abril e retornarás final de julho. Está bem assim? Topas vir para cá?
Uauuuuuuuu,… é tudo que eu quero, disse eu a ele.
E assim comecei os preparativos. E uma de meus cuidados foi ir ao médico e fazer exames de rotina já que já era hora, e queria ir despreocupada em relação a minha saúde.
E, num dos exames que fiz, (ultrasonografia pélvica), apareceu algo estranho em minha bexiga.
Estranhei o médico fazendo tantas perguntas ao invés de falar como em outras tantas vezes que tudo estava bem. Eu, já um pouco preocupada perguntei: Doutor, por um acaso estou com câncer?
Ele não respondeu porque era óbvio que não poderia dizer porque neste exame ele ainda não poderia precisar o que era aquele algo estranho que ele via.
Mas me mandou imediatamente procurar um uroligista, que por ser amigo da família, me conseguiu hora para o outro dia. Era uma quarta-feira, e fui à consulta.
Cheguei, falei que iria viajar dentro de uns 15 dias, mas que queria ver antes o que estava acontecendo. Ele me proibiu de viajar e marcou já, para a sexta-feira daquela mesma semana, um exame mais minucioso em mesa cirúrgica, onde, além de fazer uma raspagem, seria feito uma biópsia.
Fiquei assustada, mas pensei: nada terei de tão sério. Não sinto nada… eu nunca lembrei na vida que tinha bexiga… então que bobagem é essa?
Mas o resultado da biópsia veio após alguns dias. CARCINOMA.
Eu fiquei meio paralisada, e mesmo o médico dizendo que eu estava bem, que não havia metástase, e que ele já havia retirado tudo, fiquei em estado de choque e caminhei pelas ruas totalmente sem rumo, como um barco à deriva em alto mar.
Fiz novo procedimento no hospital onde depois do resultado ele passou um líquido quimioterápico na região toda onde ele havia feito a raspagem, e ouvi: parabéns: Estás curada! Mas não deves viajar por enquanto. Seria bom estares por perto nesta fase.
Após 6 meses fiz novamente o tal procedimento, e agora, sexta-feira, 28/03, farei novamente.
Sei que está tudo bem, porque não sinto nada. Mas fiquei com uma sequela: desde esse dia fatítico, quando recebi o resultado, fiquei meio neurótica. Meus exames de rotina passaram a ser ao ínvés de anuais, semestrais. Peço ao meu médico me retalhar inteirinha através de exames pelo corpo todo e assim fico tranquila que não está surgindo nada em lugar algum do meu corpo. Fiquei um pouco ( bastante) insegura.
Fico pensando, nas supresas que a vida nos traz. Uma boas, outras não tão boas.
E assim, só me ( nos ) resta rezar sempre, agradecendo a Deus pela saúde, e pedir, sempre pedir, para que Ele nos abençoe e nos poupe de sustos assim, tão grandes e traumáticos.
Meus amigos, um abraço a todos, e… vamos viver cada minuto! Afinal, estamos diariamente sujeitos a receber supresas da D. Vida.
Boa semana!
Ps. Quanto ao meu filho Renato, após alguns meses do ocorrido, resolveu vir embora e hoje está aqui na cidade, trabalhando numa empresa local. Está feliz assim como eu.
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